``` Meu Skoob Pessoal ``` ```

Meu Skoob Pessoal

No final de 2024 decidi voltar a ler livros. Eu estava parado há muito tempo por causa de outros projetos pessoais como edição de vídeos e podcasts, mas talvez agora eu esteja de volta na minha fase de leitor assíduo. Pretendo compartilhar aqui algumas informações sobre o que estou lendo e que seja fácil de consultar depois. O Skoob, como alguns de vocês devem saber, é uma rede social para leitores que já existe desde 2009, mas que nos últimos anos foi comprada pela Americanas e, logo depois, vendida para uma tal de Skeelo.

Esse compra-compra de empresas muitas vezes acaba refletindo no fechamento definitivo de sites e serviços, então quero migrar tudo para cá no Neocities pois me parece ser um ambiente mais seguro. Claro que eu vou fazer um backup eventual para meu computador, mas isso será bem menos trabalhoso do que o backup que eu fiz das minhas anotações do Skoob recentemente para meu Google Drive (e que, eventualmente, também pretendo trazer para cá).

Sejam bem vindos! Ou clique aqui para voltar para a Home.

Capa Capa do livro Os 5 Desafios das Equipes
Título Os 5 Desafios Das Equipes - Patrick Lencioni
Período de leitura Novembro/2024
Comentários pessoais Peguei emprestado com um colega de outro setor. Acho que foi o primeiro livro de gestão que eu li.
Trechos interessantes

Ao longo de minha experiência trabalhando com CEOs e suas equipes, duas verdades essenciais se tornaram claras para mim. A primeira é que, na maioria das organizações, o verdadeiro trabalho em equipe continua tão ilusório quanto sempre foi. A segunda é que as empresas não conseguem um bom trabalho em equipe porque, sem perceber, caem em cinco armadilhas naturais, porém perigosas, que eu chamo de disfunções.

Essas disfunções podem ser interpretadas de forma equivocada como cinco questões independentes umas das outras. Mas, na verdade, elas formam um modelo inter-relacionado, no qual a suscetibilidade a apenas uma disfunção pode ser letal para o sucesso de toda a equipe. Uma visão geral de cada uma delas e o modelo que formam juntas deve deixar isso mais claro:

Pirâmide

  • Falta de atenção aos RESULTADOS
  • Evitar RESPONSABILIZAR os outros
  • Falta de COMPROMETIMENTO
  • Medo de CONFLITOS
  • Falta de CONFIANÇA
  1. A primeira disfunção é a falta de confiança entre os membros da equipe. Em essência, isso vem da falta de vontade de cada um de se mostrar vulnerável dentro do grupo. Os membros da equipe que não se abrem com os outros sobre seus erros e fraquezas impossibilitam a criação de uma base de confiança.

  2. Essa incapacidade de criar confiança é prejudicial, pois cria um ambiente propício para a segunda disfunção: medo de conflitos. Os membros da equipe que não confiam uns nos outros são incapazes de promover debates acalorados em que não se meçam palavras. Em vez disso, apelam para discussões veladas e comentários reservados.

  3. A falta de conflitos saudáveis é um problema porque forma a base para a terceira disfunção: falta de comprometimento. Como não expressam suas opiniões em debates abertos e acalorados, os membros da equipe raramente ou nunca aceitam as decisões tomadas nem se comprometem com elas, embora finjam concordar com elas nas reuniões.

  4. Por causa dessa falta de comprometimento e de concordância, os membros da equipe tendem a evitar responsabilizar os outros, a quarta disfunção. Como não se comprometem com um plano de ação claro, até as pessoas mais focadas e motivadas costumam hesitar em chamar a atenção de seus colegas em relação a atitudes e comportamentos que sejam contraproducentes para o sucesso da equipe.

  5. Uma vez que não apontam as responsabilidades uns dos outros, os membros da equipe criam um ambiente propício para a quinta disfunção. A falta de atenção aos resultados ocorre quando os funcionários colocam suas necessidades individuais (como ego, sucesso na carreira ou reconhecimento), ou mesmo as necessidades de seus departamentos, acima dos objetivos coletivos da equipe.

Sendo assim, da mesma forma que uma corrente se desfaz quando apenas um elo é quebrado, o trabalho de grupo se deteriora se uma única disfunção se manifesta.

Outra maneira de entender esse modelo é usar a abordagem oposta – positiva – e imaginar como os membros das equipes coesas se comportam:

  1. Eles confiam uns nos outros.
  2. Eles se envolvem em conflitos nos quais tudo é debatido.
  3. Eles se comprometem com decisões e planos de ação.
  4. Eles chamam a atenção dos colegas quando estes agem contra os planos já estabelecidos.
  5. Eles focam o alcance de objetivos coletivos.

Parece muito simples porque realmente é, pelo menos na teoria. Mas é extremamente difícil colocar esse modelo em prática, pois isso exige níveis de disciplina e persistência que poucas equipes são capazes de reunir.

Antes de aprofundar seus conhecimentos sobre cada uma das disfunções e explorar maneiras de vencê-las, é interessante que você avalie a sua equipe e identifique em sua organização onde estão as oportunidades para aprimoramento. (p. 172-174)

Capa Capa do livro Num Piscar de Olhos
Título Num Piscar de Olhos - Walter Murch
Período de leitura Dezembro/2024 - Março/2025
Comentários pessoais Por alguma razão meu pai achou que a pessoa capa era o Donald Trump.
Trechos interessantes

"E por falar em mesas, é preciso dizer que trabalho de pé: a minha KEM foi erguida a uns 40cm do chão para ficar na altura certa pra mim. [...] Editar é como fazer uma cirurgia: você já viu algum cirurgião fazer uma operação sentado? Editar também é como cozinhar, e ninguém se senta no fogão para cozinhar. Mas editar é principalmente uma espécie de dança - o filme pronto é como uma dança cristalizada - e onde já se viu um dançarino se sentar para dançar?" (p. 50)

"Eu sempre reviso o material duas vezes. A primeira logo no dia seguinte em que foi filmado, anotando minhas impressões e qualquer outro eventual comentário do diretor. E, quando estou prestes a cortar determinada cena, pego todo o material relevante e dou uma segunda olhada fazendo anotações mais detalhadas do que da primeira vez." (p. 54)

"A reação do público é assim. Quando se pergunta diretamente: “Qual foi a cena de que você menos gostou?” e 80% das pessoas apontam a mesma cena, o impulso é “consertá-la” ou cortá-la. Mas é provável que não haja nada de errado com a cena. Pode ser que o público simplesmente não tenha entendido algo que precisava saber para que a cena funcionasse. Assim, em vez de consertar a cena, você pode jogar uma luz em algo que acontece cinco minutos antes." (p. 59)

"Para economizar tempo e memória, decidi digitalizar O Paciente Inglês em resolução 4, o que gera uma imagem relativamente tosca. Depois dos primeiros dias trabalhando nessa resolução comecei a me perguntar se não havia errado e se não deveria redigitalizar o material numa resolução mais alta. Por sorte, enquanto olhava umas anotações no terceiro dia, vi de relance um olhar de Juliette Binoche num quadro parado no monitor. Estava tão bonito, como uma pintura impressionista, que fiquei mais tranquilo quanto à minha decisão. “Isso não é o filme”, disse pra mim mesmo. “Estou trabalhando sobre uma pintura impressionista do filme.”" (p. 60)

"A mente humana tem mais aptidão para reconhecer idéias do que para articulá-las. Quando você está num país estrangeiro é sempre mais fácil entender a língua do que falar. De certa forma todo filme é um "país estrangeiro" e a primeira coisa que se deve fazer é aprender a língua daquele "país". Cada filme tem (ou deveria ter) um jeito único de comunicar, cabendo a nós o esforço para aprender sua língua. Mas o filme fala a língua própria dele melhor que você! Portanto, na procura mecânica do que eu queria, acabava encontrando o que precisava - algo diferente, melhor, mais arguto, mais espontâneo e mais verdadeiro do que a minha primeira concepção. Conseguia reconhecer quando achava, mas não poderia nunca ter articulado aquilo antecipadamente." (p. 114)

"[...] Estou certo de que a presença de outras pessoas durante o ato da criação dava à pintura uma base diferente da que tem hoje, quando o trabalho é feito quase que exclusivamente em isolamento. Incontáveis foram as vezes em que a reação dos meus assistentes clareou a minha visão sobre o que funcionou e o que deu errado. Eles são os meus primeiros espectadores. E muitas vezes trouxeram para o filme ideias que extrapolavam o que eu próprio concebera." (p. 118)

"Hoje, consumidores de equipamentos de informática conseguem comprar a um preço relativamente barato um programa de edição para seus vídeos digitais caseiros que faria inveja a muitos profissionais há dez anos. No entanto, a dura realidade é que o fato de serem mais acessíveis não os torna necessariamente melhores. A impressão de que “qualquer um pode fazer” pode facilmente “entornar o caldo”, dada a quantidade de cozinheiros. Hoje em dia qualquer um de nós pode entrar numa loja e comprar por um preço barato um material de pintura pelo qual os pintores renascentistas teriam pago fortunas. Ainda assim, qual de nós está à altura deles?" (p. 122)

"É claro que haverá tristeza pela perda de nossos amigos Claquete, Película e Rolo. É claro que a falta de nitidez entre as fronteiras de vídeos, computadores e filmes vai aumentar. É claro que as criaturas digitais (e talvez até atores) nascerão e farão o Parque dos Dinossauros de 1993 parecer o King Kong de 1933. É claro que o canal 648 será uma transmissão do planeta Terra visto da Lua, com detalhes surpreendentes, ocupando toda a parede de cristal líquido da sua sala de mídia. Mas como estará o cinema – o hábito de ver filmes numa sala de projeção – como estará o cinema em 2099? Será que a revolução digital, tão intoxicante e impetuosa nos dias de hoje, vai transformar o cinema em algo irreconhecível para nós, para melhor ou para pior?" (p. 143)

"O diretor é o animador de um circo que inventa a si próprio." (p. 147)

"O pessimismo de meados do século XX em relação ao destino do cinema, quando se previa um futuro comandado pela televisão, desconsiderou a necessidade humana perene – pelo menos tão antiga quanto a linguagem – de sair de casa e se reunir no escuro, em volta de uma fogueira, com outros desconhecidos para ouvir histórias." (p. 148)

Capa Capa do livro O Cinema na Era da Internet
Título O Cinema na Era da Internet - Wagner Rodrigues Miranda
Período de leitura Dezembro/2024 - Maio/2025
Comentários pessoais
Trechos interessantes

"Também devemos considerar que alguns formatos de arquivo/codec podem cair em desuso. Resumindo, você pode ter um filme salvo, bem seguro em seu HD, mas não tem como assistir a ele, pois não tem mais um player de vídeo capaz de reproduzi-lo. Confiar nas "nuvens" ou repositórios digitais também pode ser arriscado, uma vez que a preservação fica a cargo de plataformas digitais que podem sair do ar por situações além do nosso controle. Ou seja, não muito diferente de acervos analógicos, os colecionadores ainda devem checar seus acervos digitais de tempos em tempos para garantir que seus arquivos não foram corrompidos e ainda podem ser reproduzidos." (p. 43)

"A expressão “mídia viral” é uma analogia com os vírus biológicos, mas as analogias entre comunicação e biologia não param por aí, pois o termo meme também foi criado por um biólogo. Internautas atualmente entendem um meme como qualquer vídeo, imagem, frase, ideia ou áudio com tom geralmente cômico que se espalha pela internet de maneira viral e tem certo potencial de replicação, mas o termo foi introduzido no livro O Gene Egoísta (1976) pelo biólogo evolucionista Richard Dawkins. O biólogo argumenta que “a transmissão cultural é análoga à transmissão genética” (1976, p. 189) e chama de meme a unidade mínima da memória, análogo ao que o gene é para a genética." (p. 57)

"Um estudo realizado em 2016 sobre infrações ao direito de cópia pela TNS Australia, empresa de pesquisa de mercado, concluiu que pessoas que consumiam uma mistura de conteúdo legal e ilegal, na verdade acabavam gastando mais com cultura do que as pessoas que consumiam apenas conteúdo legal. [...] De acordo com Gustavo Sumares (2016), redator do website Olhar Digital, algumas possibilidades de explicações para esses fenômenos consideram que os usuários que consomem um misto de conteúdo ilegal e legal têm mais contato com cultura, portanto teriam uma propensão maior de gastar com o setor. E, uma vez que a distribuição ilegal possibilita um crescimento da base de fãs, já que há um aumento do alcance e do acesso a um conteúdo, é possível que as perdas em exibição e distribuição sejam equiparadas aos aumentos dos ganhos com as vendas de produtos relacionados e/ou derivados, favorecendo o mercado de produtos licenciados." (p. 66-67)

"Assim, os vídeos mais populares acabam concentrando o maior número de visualizações. Em números, os 20% dos youtubers mais populares concentram cerca de 97% das visualizações, o que mostra uma tendência do YouTube de favorecer os vídeos de canais mais acessados (DING et al., 2011), dificultando a ascensão de novatos, por exemplo." (p. 91)

"De certa forma, o ideal de Nicholas Negroponte, o Daily Me [...] foi realizado, pois os algoritmos de recomendação realmente oferecem uma experiência customizada de acordo com os interesses do usuário. A expectativa era que, sem ter que lidar com conteúdo que não o interesse, a experiência de cada indivíduo seria melhor, mas o problema, como os sociólogos Walker e Bellamy (apud ROSEN, 2004) apontam, é que o público tem, frequentemente, selecionado material que confirma suas crenças, valores e atitudes, enquanto rejeita o que entra em conflito com essas noções. Ao reafirmar cada vez mais as mesmas ideias, cada nicho começa a ficar mais resistente a experimentar conteúdos e ideias diferentes que desafiem sua visão de mundo." (p. 109)

"De acordo com o pesquisador Anderson Silva (2015), outro que é contra o binge-watching é o jornalista Jim Pagels (2012), da revista on-line Slate, que destacou alguns pontos que considera negativos dessa prática, defendendo que esse ato de assistir compulsivamente “destrói boa parte do que há de melhor na TV”, já que: 1) os episódios têm sua própria integridade, logo assistir tal como os binge-watchers fazem tiraria essa característica (qualidade) da série; 2) o suspense e os cliffhangers de cada episódio precisam de tempo “para respirar”; 3) assistir com calma e recapitular os episódios, além das discussões de comunidades on-line sobre a série, fornecem uma análise fundamental e possíveis insights sobre a trama; 4) os personagens da TV devem ser uma parte regular de nossas vidas, e não alguém com quem a gente sai 24 horas por dia e sete dias da semana e depois nunca mais vê novamente; e 5) ter intervalos de descanso faz com que a linha do tempo do universo televisivo seja mantida em nossas vidas (PAGELS, 2014 apud SILVA, 2015)." (p. 125)

"Com a cauda longa, há uma valorização dos mercados de nicho; plataformas como o YouTube dão a possibilidade de produtores independentes lançarem seus trabalhos e/ou ampliarem seu alcance, usuários podem realizar uma forma de jornalismo comunitário e cobrir assuntos que não são exibidos pela grande mídia. Apesar dessas novas possibilidades, muitos dos assuntos debatidos ainda são pautados pela mídia tradicional, e sistemas de sugestões e de filtragem podem delimitar o alcance de determinadas obras, e, como dito por Burgess e Green (2009), os maiores indicadores de sucesso e reconhecimento ainda são os meios tradicionais, como festivais, congressos, convites para participar da televisão ou cinema etc." (p. 149)

Capa Capa do livro Historiografia Clássica do Cinema Brasileiro
Título Historiografia Clássica do Cinema Brasileiro - Jean Claude Bernardet
Período de leitura Dezembro/2024 - Março/2025
Comentários pessoais Embora eu aprecie bastante as discussões acerca do tema, achei esse livro muito prolixo e monótono. Tanto que pulei da página 65 até a 174. Não é feio desistir.
Trechos interessantes

Capa Capa do livro
Título Essencialismo - Greg McKeown
Período de leitura Maio/2026
Comentários pessoais
Trechos interessantes

"Passou a avaliar os pedidos com base no seguinte critério: “Será que consigo atender a esse pedido com o tempo e os recursos de que disponho?” Quando a resposta era não, ele se recusava a atender a solicitação. Ficou agradavelmente surpreso ao descobrir que, embora a princípio parecessem um pouco desapontadas, as pessoas pareciam respeitar sua franqueza. Estimulado por essas pequenas vitórias, ele foi um pouco mais além. Agora, quando lhe faziam um pedido ele o analisava usando critérios mais exigentes: “Essa é a coisa mais importante que eu deveria fazer com meu tempo e meus recursos neste momento?” Se não conseguisse responder sim categoricamente, não executava a tarefa." (p. 10)

"[...] depois de 15 minutos de argumentação, precisei pedir que parassem. “A que pergunta vocês estão tentando responder?”, indaguei. Todos pararam, sem graça. Ninguém sabia. Então alguém fez um comentário sobre outra coisa e novamente o grupo saiu pela tangente. Interrompi de novo e fiz a mesma pergunta outra vez. E mais outra. Finalmente, a equipe parou e realmente pensou nas metas que tentavam cumprir e nas decisões que teriam que tomar para atingi-las. Pararam com as conversas secundárias. Repassaram todas as ideias e opiniões que tinham sido lançadas ao acaso, tentando escutar os temas ocultos e as ideias maiores que as interligavam. Então, por fim, passaram da estagnação para o ímpeto. Estabeleceram um plano de ação, tomaram as decisões necessárias e dividiram as responsabilidades." (p. 89)

"[...] como um líder me disse no Twitter: “Se não for um sim óbvio, a resposta terá que ser não.” Este é um resumo sucinto de um princípio essencialista básico que é fundamental para o processo de exploração e experimentação. O próprio Derek segue à risca esse princípio. Quando não se entusiasmou com nenhum dos candidatos que entrevistou para um emprego, disse não a todos. Finalmente, encontrou a pessoa certa. (p. 111)

```